Real é ativo que mais tem condições de se valorizar, diz Kairós

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Real é ativo que mais tem condições de se valorizar, diz Kairós

A Kairós segue com o pé atrás com o Brasil, ainda privilegia boa parte da alocação do seu multimercado em ativos internacionais, mas no curto prazo “tem ficado menos reticente”, segundo o sócio-fundador Fabiano Godói. “Ainda que a passos de cágado, e sem dentes, fatiadas, as reformas estão seguindo o devido processo legal na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), estabelecendo-se os relatores. Assim que a pandemia refluir pode ter janela de oportunidade para ativos brasileiros, mesmo que não seja uma melhora estrutural.”

A bonança pode não durar, contudo, muito tempo, adverte Godói, já que a partir de outubro e novembro todas as baterias estarão votadas para a sucessão presiden

Com a vacinação contra a covid-19 em curso e um maior número de pessoas já expostas à doença, o gestor diz haver razões para acreditar que a pandemia vai refluir em alguns meses. “Com a economia reabrindo, algum nível de desemprego baixando, vai ficar a sensação de que o pior já passou e essa essa é uma janela para os ativos brasileiros apresentarem algum grau de ‘catch up’ com os ativos lá fora.”

O ambiente internacional parece ser bom, destaca o sócio da Kairós, mas pairam dúvidas sobre a inflação americana e o quanto o Federal Reserve (Fed, o BC americano) vai se mover, já que tem defendido a tese de que as pressões sobre os preços são temporárias.

 

Na parte da carteira dedicada a ativos brasileiros, Godói diz que o que parece mais fora de lugar é o real, mais do que a bolsa. “É claro que tem janela para tudo andar: a bolsa subir, a curva de juros pode fechar e o câmbio se apreciar. Mas quando se olha hoje os ativos mais distantes do preço justo, o real está mais distante do que a bolsa.”

Para Godói, o ciclo de alta de juros no Brasil tem ajudado a moeda, porque poucos meses atrás o país tinha uma taxa básica que era metade da observada entre os pares emergentes. “Com o juro muito baixo, o real estava sendo um hedge barato para qualquer um que estivesse comprado em bolsa por causa do carrego negativo, seja o investidor local seja o estrangeiro com posição em mercados emergentes”.Na renda variável, a Kairós tem preferido as bolsas fora do Brasil. No mercado futuro de juros, Godói acha que as taxas curtas, de até dois anos, embutem aumentos mais altos do que efetivamente o BC vai executar. Essa leitura vale tanto para estratégias relacionadas a juros nominais quanto reais.